DMAD

Não Vás, Ó Mbila!

A proposta do nosso artefacto “Não vás, ó mbila!” visa criar/levar à reflexão sobre a necessidade de uma preservação sustentável das timbila. As timbila (plural de mbila) constituem uma manifestação artístico-cultural de origem copi, grupo etnolinguístico do Sul de Moçambique.

Vários foram os momentos pelos quais esta manifestação passou, desde o tempo colonial, passando pelo período pós independência, até aos dias de hoje, com destaque para a sua proclamação em 2005 pela UNESCO como património cultural da Humanidade. De seguida, regista-se uma subida vertiginosa da sua procura (e consequente produção para responder à demanda), levando a consequências diversas que perigam a sustentabilidade de sua preservação, com destaque para o abate indiscriminado de árvores das quais se extrai a madeira específica para o fabrico das timbila, o que gera a escassez das timbila, a descaraterização das tonalidades sonoras originais (pelo uso de madeira alternativa) colocando em perigo o desiderato de sua disseminação e preservação.

Tendo um protótipo da mbila como centro da instalação, uma miniatura de árvore que simula o fenómeno do abate, imagens em cartões que simulam a forma da mbila, procuramos ainda apresentar vídeos e texto escrito que compõem a narrativa, explorando as possibilidades das tecnologias digitais.

José João Augusto Hoguane, professor de Educação Visual e Design e Tecnologias das Artes Visuais na Universidade Pedagógica de Maputo – Moçambique. Pesquisador do Centro de Estudos Moçambicanos e de Etnociências. Os seus trabalhos de pesquisa e intervenção orbitam em torno de projetos artísticos educacionais junto de comunidades locais, com interesse na arte infantil, reciclagem de materiais, imortalização de ícones nacionais, preservação do património artístico-cultural.

Por acreditar na possibilidade e na necessidade de coabitação entre arte-cultura e tecnologias digitais, o seu interesse atual de pesquisa e intervenção artística imerge no domínio das Humanidades Digitais, e cinge-se em fazer a combinação de tecnologias digitais multimídias como base para (re)produção, armazenamento e disseminação de bens culturais das comunidades.

Atendendo e considerando o poder das tecnologias digitais multimídias (dominadoras e responsáveis pela cultura digital e pela emergência dos “nativos digitais” nas sociedades contemporâneas), acredita que estas constituem uma oportunidade e afiguram-se um meio privilegiado de captação, tratamento, armazenamento, circulação, partilha e reutilização de tais bens culturais.